A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata – Mary Ann Shaffer e Annie Barrows

Tramas relacionadas a guerras são sempre comoventes e podem até ser inspiradoras; ainda mais quando a narrativa apresenta personagens singulares que sobreviveram aos horrores do holocausto sem deixar de ser que eram, ajudando os outros e a si mesmos. São nos relatos de guerra que conhecemos os verdadeiros heróis da humanidade.


Nome: A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata
Autor: Mary Ann Shaffer e Annie Barrows
Páginas: 254
Editora: Rocco


Sinopse: Juliet é uma jornalista e escritora que está no processo criativo para escrever um livro. Sem uma ideia concreta de que narrativa seguir, a moça tem um lampejo de criatividade quando passa a receber cartas de um estranho chamado Dawsey, que lhe conta sobre a ocupação alemã que ocorreu na ilha em que ele mora, Guernsey, durante a Segunda Guerra Mundial. É através de uma conversa simples que o rapaz expõe como ele e os habitantes da ilha superaram os horrores do nazismo, através de um peculiar clube de leitura chamado “A sociedade literária e torta de casca de batata”.


2A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata” é aquele tipo de leitura que apesar de lidar com um tema pesado e sombrio, que é a Segunda Guerra Mundial, ainda assim, consegue ser leve e esperançoso, principalmente ao apresentar personagens cativantes, peculiares e agradáveis. Pessoas simples que apesar de viverem com as marcas do holocausto, ainda fazem o melhor para que a vida possa ser boa novamente.

E talvez, seja assim que essa obra encanta.

Mesmo evidenciando o lado cruel da guerra, aqui o que impera é a bondade em tempos sombrios; seja devido a algum morador que se sacrificou para salvar outro, ou mesmo pela forma com que todos tentaram superar os horrores do holocausto.

Eu tinha a impressão de que tínhamos sido todos transformados em mulas, fugindo apressados, cada um no seu próprio túnel.”

Uma obra leve, que ainda assim, possui sua carga melancólica.

Até porque, falar de guerra, mais especificamente da Segunda Guerra Mundial, é falar de um tempo sombrio em que civis inocentes perderam suas vidas. E mesmo que este seja um livro que apresenta um lado esperançoso dos sobreviventes, ele não caí no erro de minimizar os estragos causados pelo nazismo, mas sim, evidenciar o quanto a guerra foi dolorosa, cruel e principalmente, covarde.

Ocupações alemãs durante a Segunda Guerra Mundial

Esse é o foco central de “A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”; mostrar o que ocorria com cidades que eram tomadas a força pelo governo Alemão durante a Segunda Guerra Mundial.

Na trama, conhecemos personagens que sofreram os horrores da guerra; seja por terem sido despejados de suas residências ou por terem de ver seus filhos partirem para um local que ainda fosse seguro. É triste de ler, mas infelizmente, foi a dura realidade de um povo.

Toque de recolher, agressões físicas e psicológicas, cobrança de impostos, proibições relacionadas a alimentação de um povo, roubos. Tudo isso ocorria por parte dos soldados alemães, quem não mediam as consequências de seus atos ao destruírem povoados e massacrarem seus habitantes, fazendo com que os sobrevivente temesse-os durante a ocupação.

A guerra junta pessoas muito diferentes.”

Entretanto, existe uma breve discussão interessante de ponderar que é evidenciada dentro da trama; um debate que contrapõe algumas atitudes de soldados e de civis.

Afinal, todos os soldados são ruins?! E quanto a população?! São todos bons?!

Veja bem, o que as autoras fazem na narrativa é mostrar os dois lados da moeda.

Se por um lado temos soldados alemães que fazem as mais temíveis atrocidades com um povo, por outro temos aqueles que desejam uma melhora e tentam ao máximo ajudar. Afinal, soldados estão servindo ao país por algum motivo, seja ele pessoal ou não. Quanto aos habitantes, enquanto muitos sofrem com a ocupação e o que ela acarreta, outros se veem como traidores da pátria ao denunciarem seus vizinhos em troca de certas regalias.

Infelizmente, essa é uma realidade que foi exposta e debatida pelo psicólogo Viktor E. Frankl em seu ensaio “Em busca de Sentido”. Na obra, o doutor discorreu sobre o bem e o mal, evidenciando que nem todos são bons ou maus, mas que a escolha de um lado depende não apenas das circunstâncias, como também da questão moral de um indivíduo.

Um clube de leitura

Mas e como sobreviver a guerra e seus horrores?! Como ter um sentido para viver?! Como pensar que tudo pode acabar mais rápido?!

A solução encontrada em Guernsey foi a criação de um clube literário “A Sociedade Literária e Torta de Casca de Batata”. E mesmo que a criação desse local de aconchego tenha sido um tanto inesperada e até cômica, é necessário ressaltar, que foi esse clube de leitura que trouxe um lampejo de esperança para os habitantes daquela pequena ilha.

Uma perspectiva de que um dia as coisas iriam melhorar.

Líamos, falávamos e debatíamos sobre livros e nos tornamos cada vez mais amigos. Outros habitantes pediram para se juntar a nós e nossas noites se tornaram alegres e divertidas – quase conseguíamos esquecer a escuridão do lado de fora. Nós ainda nos reunimos a cada duas semanas.”

Porque as reuniões davam aqueles habitantes um propósito para seguir para o dia seguinte. Discutir literatura com outras pessoas, pegar dicas de leitura ou até mesmo expor pequenos contos e textos, fez com que aquele povo pudesse suportar a dor de perder amigos e familiares.

Foram as reuniões e a cumplicidade entre cada membro da sociedade que os fez seguir em frente sem nunca desistir.

E essa é uma obra repleta das mais incríveis referências a literatura clássica. Confesso que enchi os olhos quando li menções a Jane Austen e as Irmãs Bronte. Uma narrativa que certamente fará o leitor se deleitar com as dicas de literatura e o tanto que pode aprender sobre os grandes autores e romances consagrados da Literatura Mundial.

Romance Epistolar

E o que torna “A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata” diferente de outras histórias que retratam um recorte da Segunda Guerra Mundial, é o fato de que toda a trama se desenrola através de cartas.

Esse é um Romance Epistolar, mas acredite em mim quando digo que a trama é tão bem desenvolvida, leve e fluída que nem ao menos notamos se tratar de um romance construído através de cartas.

Quando meu filho, Ian, morreu em El Alamein, as visitas vinham me dar pêsames e, achando que isso iria me consolar, diziam: ‘A vida continua.’ Que bobagem, eu pensava, porque é claro que ela não continua. É a morte que continua; Ian está morto agora, estará morto amanhã e no ano que vem e para sempre. Não existe fim para isso. Mas, talvez, haja um fim para o sofrimento que isso causa. O sofrimento invadiu o mundo como as águas do Dilúvio, e levará tempo para recuar. Mas já existem algumas pequenas ilhas de… esperança? Felicidade? Alguma coisa parecida, pelo menos.”

Ressalto ainda, que é exatamente a troca de cartas que faz essa narrativa ser leve e doloroso.

Aqui, conhecemos personagens que narram seus relatos de guerra através de diálogos que vão desde os mais engraçados, repletos de tiradas divertidas, até os mais melancólicos por se lembrarem de momentos dolorosos que envolvem a perda de amigos e entes queridos.

Sendo assim, é fácil para o leitor se conectar com a trama e com aqueles que se tornaram os verdadeiros heróis de guerra.

Porque se tem uma coisa que esse livro consegue fazer, é tornar pessoas comuns, como eu e você, verdadeiros heróis de uma nação. Personagens que se tornaram lendas ao serem lembrados com carinho pelos seus admiradores.

Elizabeth, uma verdadeira heroína

E esse é o caso da personagem Elizabeth. Afinal, assim como a nossa protagonista Juliet, o leitor também percebe tão cedo ou mais tarde, que a trama inteira gira em torno dessa mulher corajosa, destemida e que não deixou de lutar pelo que acreditava e por quem amava.

Uma personagem que salvou vidas e que mostrou o melhor lado do ser humano ao desafiar o exército alemão. Uma mulher guerreira que não desistiu em nenhum momento. Elizabeth é uma heroína, sem dúvida. Mas como tal, é aquele tipo de personagem que não aparece em nenhum momento. Seus feitos heroicos são contados e recontados por seus admiradores, o que a torna uma verdadeira lenda.

Elizabeth pode não ver a sua ascensão heroica, mas ela jamais foi esquecida.

Eles deixaram aquelas mulheres famintas, exaustas, que teriam de caminhar quilômetros sem água nem comida. Não havia uma migalha nos campos que elas percorreram. Não é de espantar que a caminhada delas tenha se tornado uma caminhada da morte. Centenas morreram no trajeto.”

E assim como a personagem que é citada e mencionada ao longo de toda a obra, uma mulher comum e simples que vivia sua vida normalmente em sua casinha, existem diversos heróis de guerra pelo mundo afora.

Pessoas que deram suas vidas para salvar outras. Pessoas comuns, como eu e você, mas que fizeram a diferença em um momento em que não havia mais perspectiva de vida ou esperança.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata” é um livro epistolar e que devido a isso, conecta o leitor com os mais peculiares e encantadores personagens. Pessoas comuns que se tornaram heróis. Essa é ,além de uma história de guerra, uma obra de esperança.


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