[Resenha] Honra – Thrity Umrigar

Alerta de Gatilhos:
Assassinato. Violência contra Mulher. Linchamento público. Agressão Física e Verbal. Intolerância Religiosa.

Atenção:
Esse é um livro com cenas gráficas relacionadas a violência contra a mulher e descrições detalhadas de cenas de espancamento e assassinato. Se você é sensível a tais temas, não realize a leitura.
Lembre-se, sua saúde mental em primeiro lugar sempre.

Um livro forte e doloroso, mas necessário. Aquele tipo de obra que faz refletir e ainda ocupa um lugar eterno dentro da nossa mente, se tornando uma experiência inesquecível.


Nome: Honra
Autor: Thrity Umrigar
Páginas: 366
Editora: Edição da Tag Inéditos de Outubro de 2022


Sinopse: Quando Smita recebe um telefonema de sua colega de trabalho Shannon, que sofreu um acidente e precisa de sua ajuda, mal sabia ela que teria de enfrentar os seus traumas e medos do passado. Retornando para Mumbai, na Índia, Smita passa a cobrir o caso de Meena, uma jovem que foi queimada por seus irmãos que não aceitavam seu relacionamento com um muçulmano. É assim, que a vida dessas duas personagens se entrelaçam e a Jornalista passa a compreender um pouco de si mesma.


Resenha do livro "Honra".Honra” é aquele tipo de leitura que dá um soco no estômago do leitor. É um livro forte, daqueles que provocam sentimentos de angústia, raiva, nojo e asco ao expor a crueldade humana e como certas pessoas deturpam valores para justificar seus atos hediondos. É impossível não se emocionar ou se sentir impotente diante de tudo que essa história relata.

Uma trama que expõe de forma crua como o preconceito, a intolerância religiosa e a misoginia imperam em uma Índia que, por mais bela e rica que seja, ainda sofre com discursos de ódios proferidos por políticos e líderes religiosos que incitam a violência contra religiões diferentes do hinduísmo.

“Todos temos pontos cegos culturais.”

Entretanto, fica o alerta para que não ocorra julgamentos precipitados contra o país, afinal retratos de violência contra outras religiões não é um problema exclusivo da Índia, visto que não é o país intolerante, mas sim as pessoas que nele residem e pensam de forma fechada, julgando seus conterrâneos.

Dito isso, vale ressaltar que essa é uma história que faz o leitor refletir sobre as camadas do ser humano e como cada pessoa tem atitudes e pensamentos diferentes, mesmo vivendo no mesmo ambiente e sociedade, tendo a mesma cultura e os mesmos conceitos. Ninguém é igual.

Esse é aquele tipo de livro impossível de esquecer.

Uma obra reflexiva

Uma das coisas que esse enredo proporciona são momentos de reflexão. Já que, embora a trama principal apresente uma Índia devastada pela corrupção moral e deturpação de valores, ainda assim, a narrativa evoca aquele sentimento de “porém”.

Veja bem, se por um lado sentimos nojo e asco de homens como Govind, Arvind e Rupal, que pregam valores destorcidos através de discursos de ódio e devido a isso queimam um casal vivo, espancam uma mulher até a morte e estavam dispostos a assassinar uma idosa e uma criança apenas porque sentiam que seus valores e crenças haviam sido violados. Por outro lado, conhecemos e admiramos pessoas como Mohan e o pai de Smita, a protagonista. Homens sensíveis, dispostos a tudo para ajudar ao próximo sem querer nada em troca e proteger com sua vida aqueles que amam.

Sendo assim, a autora, Thrity Umrigar, evidencia que a Índia tem problemas graves de estrutura social e econômica que culminam em atos hediondos provocados pelo preconceito, mas que também possuí pessoas que prezam pelo bem maior, ou seja, um país que mesmo com todas as adversidades possui sua beleza.

“Ninguém ama algo por não ver seus defeitos, certo? Ama apesar dos defeitos.”

Esse contraponto está presente ao longo de toda a narrativa, visto que Smita e Meena são duas indianas incríveis e fortes, dotadas de um caráter admirável. Além disso, percebemos a virtude de espírito do marido assassinado de Meena, Abdul, que em seus sonhos inocentes nutria um grande sentimento de amor pela Índia e a vontade de ver seu país unificar e aceitar as diferenças.

Fato é, que a autora expõe ao leitor que situações tenebrosas como as descritas na trama não são exclusivas da Índia e acontecem em qualquer lugar do mundo. Não precisamos ir muito longe para nos lembrarmos de um caso não muito antigo que ocorreu no Brasil, em que devido a falta de informação uma mulher foi linchada em praça pública, tudo por conta de boatos. Isso prova que a maldade humana e coletiva está presente em qualquer lugar e ocorre por qualquer coisa.

Após a leitura, a reflexão que fica é a de que, o problema não é a Índia, mas sim as pessoas que deturpam seus valores e perdem a sua humanidade.

Meena e Smita

Sendo assim, preciso destacar e falar um pouco sobre essas duas mulheres incríveis. Eu aprendi muito com elas, principalmente com Meena que mesmo com todo seu sofrimento, se mostrou uma das protagonistas mais fortes que eu conheci na literatura.

Para contextualizar, Meena é uma moça hindu que se apaixonou e casou com Abdul, um rapaz muçulmano. O matrimônio foi contra a vontade de seus irmãos, Govind e Arvind, que quando descobriram que a jovem estava grávida, procuraram o líder espiritual de sua aldeia, Rupal, e este aconselhou os rapazes a cortar o mal pela raiz. Sim, você não entendeu errado, um líder religioso aconselhou os irmãos a assassinarem a irmã e o cunhado. É assim que em uma madrugada os homens colocam fogo no casal, Abdul morre e Meena sobrevive tendo metade de seu corpo desfigurado pelas chamas.

“Sentir-se desconfortável é bom. É no desconforto que o crescimento acontece.”

O enredo então segue a jornalista Smita que cobre caso de Meena, que por ter sobrevivido ao incêndio, abre um processo contra seus irmãos, acusando-os de assassinato e assim um julgamento é iniciado. É a partir desse ponto que a repórter entrevista todos os envolvidos com o crime e acredite os depoimentos de Govind e Rupal são as declarações mais nojentas e torpes que podemos ler.

Entretanto, o mais incrível é perceber como essas duas personagens são tão parecidas e, ao mesmo tempo, diferentes.

Por mais que Meena se considere um “monstro” devido a sua aparência, é inegável o quanto a moça ainda enxerga beleza e amor no mundo, vendo em Smita uma irmã mais velha, e sorrindo com o amor puro de sua filha Abru. A personagem é um exemplo de força e coragem e é essa admiração por ela que move a jornalista.

Já Smita é aquele tipo de mulher que, devido aos seus traumas passados, se fechou para tudo e todos, principalmente para a Índia, ela não consegue desvencilhar o país de tudo que lhe ocorreu e se esconde de quem ela é. Entretanto, é exatamente quando conhece Meena que a moça percebe que a Índia nunca foi o problema.

Ambas as protagonistas são fantásticas a sua maneira e é certo que você, leitor, vai se apegar a Meena. Smita pode até ser um pouco complicado de gostar, e um tanto intragável, mas devo dizer que mesmo com seus defeitos, ela também é uma personagem admirável.

A Índia e as mulheres

E aqui também conhecemos um pouco da deslumbrante Índia, na realidade, não conhecemos a parte rica e bonita, mas sim aquela escondida, a dos vilarejos e aldeias em que a lei não significa muito.

Uma Índia sem glamour, um lugar em que o preconceito religioso é forte e as pessoas fazem questão de impor suas crenças e seus preceitos morais através da violência. Claro, que esse é um ponto que não é destinado apenas à Índia, visto que todo e qualquer lugar do mundo possuí o seu lado privilegiado e desprivilegiado.

“Aonde quer que fosse, aparentemente, era temporada de caça à mulher. Estupro, mutilação de genitais femininos, noivas incendiadas, violência doméstica – em todos os lugares, em todos os países, elas eram abusadas, isoladas, silenciadas, presas, controladas, punidas e mortas.”

Enquanto lia sobre essas pequenas comunidades indianas que são fechadas e retrógradas em questões como direitos femininos e liberdade de escolha, eu refleti sobre como sou uma pessoa privilegiada, me colocando no lugar das mulheres que ainda tem que lutar para mostrar que são mais do que um pedaço de carne que serve apenas para procriação, que podem trabalhar e ter direito a uma vida digna em que podem escolher aqueles com quem vão se casar.

Foi uma leitura que me deixou pensativa porque não é apenas na Índia que o sexo feminino não tem direitos, esse é um problema que ocorre em outros países e ler uma obra que expõe essa discussão de forma tão ampla, direta e profunda é algo que faz qualquer leitora refletir.

Sim, nós mulheres precisamos e muito continuar lutando pelos nossos direitos.

O Significado de “Honra”

Talvez, uma das coisas mais interessantes do enredo é o que essa palavra de cinco letras significa dentro da narrativa.

Afinal, o que é a Honra para você?

Aqui, acompanhamos os diversos significados que essa palavra possui e nem todos podem ser atribuídos a algo bom, visto que se não fosse porque sentiram sua “honra” ser maculada os irmãos de Meena jamais teriam ateado fogo nela e em seu marido, se não fosse pelos valores deturpados que eles tinham da palavra, a personagem poderia ter vivido a sua história de amor.

“Na infância, nos ensinaram a temer tigres e leões. Ninguém nos ensinou o que sei hoje – o animal mais perigoso do mundo é um homem com orgulho ferido.”

Entretanto, esse jogo etimológico vai além do sentido deturpado dos irmãos de Meena, visto que a autora insere a discussão acerca da percepção da palavra dentro de contextos e pontos de vistas diferentes, já que são as pessoas que moldam significados e preceitos acerca de alguma coisa.

Afinal, o que é a honra quando sua família está sendo ameaçada e você pode salvá-la se deixar seu orgulho de lado? É assim, que esse título encaixa perfeitamente bem com a história.

Honra” possui uma trama forte, dolorosa e que provoca aquele sentimento de impotência no leitor, evocando questionamentos e reflexões importantes sobre o sentido da palavra que dá título ao livro e sobre aceitar as diferenças de crenças do outro. Afinal, independente de qualquer coisa, não povoamos uma mesma terra?


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