[Resenha]Anatomia de um quase corpo – Yara Fers

Através de uma narrativa que beira a poesia, o leitor é brindado com uma percepção profunda e reflexiva sobre como o luto não se refere apenas a morte de alguém querido, mas sim de qualquer coisa que perdemos e que afete a nossa vida de forma significativa.


Nome: Anatomia de um quase Corpo
Autor: Yara Fers
Páginas: 71
Editora: Publicação Independente


Sinopse: Após perder a mão em um acidente no emprego, uma mulher passa a narrar em seu diário como sua vida se tornou um luto constante devido a amputação que sofreu. Sem perspectiva, com autoestima em colapso e em depressão, ela refaz sua vida tentando chegar ao ponto em que se deixou “morrer” enquanto tenta superar a perda de uma parte de si.


Resenha do livro "Anatomia de um quase Corpo"Aqui, acompanhamos uma mulher que devido a amputação da mão em um acidente de trabalho, se encontra em um processo de luto para conseguir superar a perda de uma parte do corpo. É por meio do ponto de vista da personagem que conseguimos não apenas adentrar em sua mente e compreender suas dores e angústias, mas também perceber como é complicado se habituar a uma condição de vida que lhe foi imposta à força.

Ou seja, esse é o tipo de leitura que nos faz refletir junto ao protagonista.

“Este corpo possuí marcas, cicatrizes e medos. Tem o fantasma de um corvo sobre o ombro, que o assombra.”

É uma obra profunda que expõe o descaso, à negligência trabalhista e a falta de empatia que grandes empresas sentem por seus funcionários, evidenciando que muitos desses locais de trabalho apenas consideram seus colaboradores como mais uma máquina, uma espécie de robô criado para operar exaustivamente sistemas de computadores ou aparelhos perigosos para os quais sequer houve um treinamento adequado.

Um livro escrito de uma forma peculiar através de um monólogo interno descrito por meio de um fluxo de pensamento constante apresentado em uma narrativa poética que chega a ser bela, mesmo retratando com crueza e dor o sofrimento de uma mulher que diante da perda, tenta se reerguer das cinzas.

Monólogo e fluxo de pensamento

Talvez um dos tipos narrativos que mais causam empatia durante a leitura e criam uma conexão forte entre personagem e leitor é quando o enredo é construído por meio do fluxo de pensamentos constante ou de um monólogo. E é isso que temos em “Anatomia de um quase Corpo“, visto que na trama acompanhamos o drama da protagonista através de suas próprias divagações escritas em um diário pessoal.

Ao longo da obra, a personagem revive sua vida por meio das lembranças que revive e descreve em seu relato, transmitindo para nós suas dores, medos, anseios e dúvidas que cercam sua mente. É através da mescla entre passado e presente que ela caminha por sua trajetória e reflete sobre a sua vida e existência, além de discorrer sobre como sua vida se tornou confusa e decadente após a perda da sua mão.

“Escrever sobre o acidente, não é complicado, há vários relatórios sobre ele, sempre lembrando os detalhes. Difícil é escrever sobre o que restou, sobre essa dor em um pedaço de mim que não está mais aqui, sobre tudo que se esfacelou em minha vida junto com a mão esmagada na máquina.”

E além de assimilarmos o processo da perda, também acompanhamos a moça refletir sobre a sua existência a partir do momento em que foi obrigada a conviver com a amputação. Afinal, sua vida acabou quando ela perdeu a mão? Ou ela simplesmente havia parado de viver muito antes desse momento, apenas existindo em um mundo gigantesco e repleto de possibilidades?!

São esses questionamentos que se fazem presentes ao longo da narrativa e nos fazem ponderar sobre nós mesmos. Quem somos; o que fazemos; o que queremos; estamos apenas existindo como mais um ser vivente na terra? Ou aproveitamos o que a vida pode nos oferecer de melhor?

O sentimento de perda

Uma das coisas que mais chamou minha atenção nesse livro foi a forma como a autora, Yara Fers, introduziu os estágios do luto na trama. Uma perda, seja ela de qual tipo, sempre gera o sentimento de dor. E ao longo da narrativa acompanhamos esse processo vivido de forma intensa pela protagonista, que através de seu sofrimento evidencia as cinco fases do luto, relatando a sua passagem por cada um deles.

Negação, raiva, barganha, depressão, e aceitação.

“Após uma amputação, era preciso velar, enterrar e se despedir do membro perdido. Fechar um ciclo, passar pelo luto e sair do outro lado da neblina.”

Todos esses momentos são descritos com uma crueza de sentimentos dolorosos e transmitidos de forma dura e intensa, convidando o leitor a se deixar envolver pelo momento para que possamos ter as mesmas sensações da protagonista. É através dessa exposição de emoções que compreendemos como a dor da personagem a afasta de si mesma; das pessoas que ela ama; das coisas que gosta. E é somente passando por todos essas fases e chegando na aceitação plena da perda que é possível se resgatar para a vida.

A descrição das dores da personagem são intensas e angustiantes de forma a provocar um misto de sensações indescritíveis ao leitor.

Anatomia de um quase corpo” é uma leitura que transmite a essência de uma pessoa enlutada e como a perda afeta as relações pessoais e interpessoais de um ser humano. Uma obra que evoca a dificuldade de aceitar a perda e nos refletir sobre a vida. Afinal estamos vivendo ou apenas existindo no mundo que nos cerca?


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