A Entregadora de Cartas – Sarah Blake

Alerta de Gatilhos: Guerra. Violência. Luto. 

Uma história de guerra que foca nas emoções e sentimentos dos milhares de civis que de uma hora para a outra tiveram suas vidas destroçadas por uma disputa que não foram eles que começaram. Um livro sensível e emocionante que vai muito além da Segunda Guerra Mundial.


Nome: A Entregadora de Cartas
Autor: Sarah Blake
Páginas: 413
Editora: Record


Sinopse: Aqui conhecemos três mulheres distintas; Emma Frankie e Iris. Frankie é uma correspondente de guerra que transmite todas as notícias de Londres através de um programa de rádio. Iris é uma entregadora de cartas em Cape Cod, Massachusset. Enquanto Emma é a jovem esposa de um médico americano que se voluntária para cuidar dos enfermos de Guerra. Três mulheres diferentes e com vidas opostas, mas que veem seus destinos interligados devido a uma carta que nunca foi entregue.


A Entregadora de CartasA Entregadora de Cartas” é aquele tipo de livro que, embora fale sobre a Segunda Guerra Mundial, aborda o tema de forma subjetiva ao longo da narrativa, evidenciando os sentimentos e emoções de civis durante os anos sombrios que esse período proporcionou para a nossa história.

E mesmo que a obra tenha esse foco na disputa política entre nações, esse não é um livro com cenas apelativas.

Mas não se engane, porque por mais que não tenhamos momentos de violência gráfica, uma guerra é cruel em todos os seus aspectos. Sendo assim, o leitor se deparará com instantes fortes e chocantes que expressam da forma mais crua possível o pior que esse tipo de disputa pode causar em uma sociedade.

O que acontece com as pessoas depois que a história é contada?”

Entretanto, como eu disse anteriormente, esse é um livro que exprimi as emoções e sentimentos das pessoas que tiveram que conviver diariamente com a guerra, sem nunca esquecer que ela estava ali, batendo em suas portas. Pessoas que tinham que se esconder em abrigos subterrâneos durante os bombardeios; Pessoas que esperavam ansiosas e temerosas cartas de seus entes queridos.

Uma obra que não é fácil de ser lida pois sabemos que ela não tem um final feliz. Uma história sobre como esse tipo de confronto, muitas vezes, força as pessoas a contarem mentiras para evitar dores. Porque assim é mais suportável. Um livro que expõe como o mundo estava cego frente a uma mentira explanada.

As mentiras que contamos…

Porque o plot principal de toda a narrativa de “A Entregadora de Cartas” é sobre uma carta que nunca é entregue; uma notícia que nunca chega. Mas porque?! Simples, para evidenciar que muitas vezes somos forçados a não darmos notícias ruins para aqueles com quem nos preocupamos.

A trama desse livro aponta essa questão de forma muito desenvolvida, esclarecendo que é preciso coragem para dar uma notícia ruim, mas que é preciso mais coragem ainda para olhar todo dia para uma pessoa e fingir que tudo está bem e nada aconteceu.

Depois de ter visto tanta coisa, ela acalentara a ilusão de que ‘trem de refugiados’ significava pessoas que haviam sido salvas, mas elas poderiam muito bem ter saltado. Ninguém estava seguro, ninguém fora salvo. Até chegarem ao fim, estavam apenas fugindo.”

Porque em um conflito desse porte é preciso se ter um sopro de esperança de que as coisas estão bem, de que tudo pode melhorar. Ainda que lá no fundo saibamos de toda a verdade; que as coisas estão pior, que nossos entes queridos estão morrendo, que nada nunca poderá ser como antes.

Uma guerra deixa feridas abertas eternamente, lesões que jamais vão cicatrizar. Entretanto, o pior de tudo, é a forma como esse tipo de disputa faz a vida de seus afetados diretamente parar enquanto a dos afetados indiretamente continua seguindo normalmente. Porque no fim, uma guerra é diferente para cada nação, pessoa, país.

Ela tem um grande impacto mundial quando nos referimos a sociedade, história e economia; mas no fundo aqueles que não estão diretamente envolvidos nessas disputas continuam vivendo suas vidas, porque está tudo ocorrendo longe, em outro continente, com outras pessoas.

A vida continua…

Porque foi assim durante a Segunda Guerra Mundial e será assim ao longo de todos os anos. Afinal, o Brasil não parou devido a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Nós estamos aqui, vivendo nossas vidas, lendo as notícias, nos indignando, mas sem podermos fazer nada a respeito. E “A Entregadora de Cartas” evidencia exatamente isso ao explorar com crueza como a vida prosseguia durante o holocausto.

Esse é um ponto narrado de forma exemplar através da voz jornalística de Frankie, a repórter que deseja mudar o mundo e mostrar para todos o que está acontecendo de verdade na Europa, principalmente a covardia perpetrada contra os judeus. Até porque esse é um livro que se passa no início da guerra, quando pouco se sabia sobre o que acontecia aos judeus e para onde eles estavam indo.

Cada um estava vivo, intensamente vivo, até o momento da morte, quando cada um de nós partia e não poderia haver substituições.”

Quando Frakie resolve que a sua vida não pode seguir em frente sem que ela fale e mostre ao mundo o que realmente está ocorrendo, o leitor se depara com todo o desespero da jornalista ao se ver de mãos atadas. A repórter pode gravar as vozes que encontra ao longo de seu caminho, eternizando as pessoas que conhece, mas jamais saberá se elas sobreviveram ao holocausto.

As vozes dos que ela conhece em sua jornada viveriam eternamente como um sopro de esperança para o presente. Mas e seus corpos?

A trama de Frankie é a mais tocante de toda a obra. Vê-la se compadecer da situação dos judeus que tentam deixar os locais que haviam sido tomados pelos alemães, observando-os se desesperar para conseguirem fugir rumo a locais seguros, vendo-os serem mortos apenas por serem judeus. Esse é o ponto mais desesperador e desolador do livro.

Porque o leitor se conecta com essas pessoas, com essas histórias. Passando a nutrir empatia pelos personagens apresentados, mas assim como Frankie, nós não podemos fazer absolutamente nada para salvá-los. E essa situação de impotência que persiste em nossas mãos ao longo da leitura é dolorosa e revoltante.

Uma história de Guerra sem estar na Guerra…

E sim, esse é um livro diferente de guerra. Uma obra que aborda as consequências de uma disputa política sem necessariamente focar nela, mas sim a deixando como plano de fundo ao longo de toda uma narrativa construída com base nas emoções dos personagens apresentados.

Uma obra que explana com força como esse tipo de genocídio age na maioria dos locais que são afetados indiretamente por ele e isso é relatado com intensidade através das tramas interligadas de Emma e Íris.

Enquanto Emma espera ansiosa por alguma notícia de seu marido, um médico que se voluntariou para ajudar a Europa durante o período da guerra; Íris entrega as correspondências de todos os voluntários para suas respectivas famílias e vive ansiosa com o receio de um dia ser a portadora de um Fax contendo uma notícia ruim.

O que poderia ser escrito para falar das bombas que caem, do barulho e da ira nos céus? De como sonos arrancados da cama, sem ter tempo para pensar – talvez você não possa ouvir uma história como as antigas. A cura mais rápida para a onisciência é a guerra. De modo caótico e sem ordem, as pessoas morrem ou são salvas sem um braço orquestrador. A orquestra toca acordes, mas as notas somem logo em seguida, vacilantes.”

A trama dessas duas mulheres salienta que, embora elas estivessem alheias a tudo que ocorria na Europa, ainda assim os reflexos do confronto as atingia. Porque elas sabiam que as coisas não estavam bem, mas assim como qualquer pessoa que tenta seguir sua vida normalmente, elas ignoravam os fatos e mantinham suas rotinas.

E ao longo de todo o livro o leitor conhece personagens que, embora estejam longe, também estão absurdamente perto da guerra e de todos os horrores perpetuados durante os anos em que esta subjugou e matou povos e pessoas inocentes.

A Entregadora de Cartas” é uma obra que fala sobre a guerra, entretanto sem focar nela, mas sim, abordando como as pessoas lidavam com suas emoções durante esse período conturbado. Um livro que expõe com dureza como o mundo ficou cego frente a uma mentira explanada. Não é fácil de ser lido, ainda mais, quando sabemos que é o tipo de história que não possuí um final feliz.


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3 comentários em “A Entregadora de Cartas – Sarah Blake

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