Rabiscos da Casa dos Pobres – Eduardo Freccia

Um protagonista cego que através da sua cegueira observa o interior das pessoas que encontra ao longo de sua jornada. Uma casa repleta de personagens pobres de espírito. Uma narrativa que quebra a quarta parede, ao se comunicar constantemente com o leitor e fazê-lo refletir ao longo de suas pouco mais de 100 páginas, sobre suas escolhas e caminhos tomados.


Nome: Rabiscos da Casa dos Pobres
Autor: Eduardo Freccia
Páginas: 108
Editora: Publicação Independente


Sinopse: Sem ter para onde ir, o Senhor Cego chega a Casa dos Pobres e pede para ficar em um quarto. Em troca de moradia, ele passa a cuidar das plantas do lugar e ajudar cada um dos habitantes que ali residem. É assim, que o Senhor Cego conhece as mais diferentes pessoas, quebradas por algum motivo e que se escondem na Casa dos Pobres, a fim de não enfrentarem a si próprias. Podendo enxergar a alma de cada uma delas, é dessa forma que ele as ajuda a enxergar o melhor de si mesmas.


7Rabiscos da Casa dos Pobres” é aquele tipo de livro que a cada capítulo apresenta um novo personagem e faz o leitor refletir sobre um assunto ou contexto. Uma história profunda e com uma narrativa fluída que cativa na sua simplicidade e forma como evidencia que a pobreza da alma é o pior tipo de pobreza de um ser humano.

É através do Senhor Cego e do fato dele não julgar as pessoas por sua aparência, mas sim por seu interior, que o leitor se conecta e compreende as dores e os medos de cada personagem apresentado, entendendo os motivos e aflições que os fizeram ir até a Casa dos Pobres em busca de um lugar para chamar de lar.

A consciência de viver o presente é muito desconexa para a cabeça. Sempre queremos o futuro. Agora, pergunto: por que querer o futuro, se nem temos o presente e o passado já ficou para alguns rabiscos?”

Além de reflexivo, esse é um livro que ao do enredo faz um bom uso do recurso da quebra da quarta parede, levando o leitor a refletir constantemente sobre a sua própria vida, escolhas e atitudes.

Porque se pararmos para pensar, o mundo é cheio de pobres de espírito.

Um livro reflexivo com a quebra da quarta parede

É através de cada personagem que compõe a narrativa de “Rabiscos da Casa dos Pobres” que o leitor faz inúmeras reflexões pertinentes sobre si próprio. E é assim, que a obra se consolida ao apresentar um enredo simples, repleto de belos significados que fazem sentido ao longo da leitura.

Cada um dos doze capítulos apresentados pelo autor é um exemplo de como a vida tem seus altos e baixos e de como cada um de nós tem a oportunidade de superar nossos desafios e sermos a melhor versão de nós mesmos. É através de cada um dos personagens descritos que compreendemos que a vida pode dar voltas, que nem tudo é fácil, mas que sempre existe um caminho a ser seguido e explorado.

Uma vez que todos temos pensamentos altos, mas uns sabem controlá-los melhor do que os outros que são tomados por loucos.”

Essas reflexões ficam evidentes devido aos dez moradores de cada um dos cubículos da Casa dos Pobres. Personagens interessantes, que possuem suas próprias vivências e dores, e que devido a isso, se tornaram pobres de espírito.

Um ponto interessante a ser mencionado, é o fato de que esse é um livro em que o autor se comunica com o leitor através da “quebra da quarta parede”, fazendo com que possamos refletir ao longo de toda a leitura; ponderações que evocam desde a empatia pelos personagens, até contemplações sobre a nossa própria existência.

Pobres de espírito e um Cego que enxerga a alma

Cada personagem é peculiar.

Aqui, as pessoas que moram na “Casa dos Pobres” são pobres de alma, de espírito; seja porque não tiveram uma vida fácil, porque se perderam em algum tipo de vício, porque se entregaram ao ócio ou mesmo devido a algum tipo de perda ou preconceito.

Cada personagem, além de único, possuí suas próprias vivências, escolhas, medos e anseios. São pessoas quebradas, que se decepcionaram com a vida ou com aqueles que a cercavam. Indivíduos que ao não terem um rumo para ir, se viram na Casa dos Pobres, sendo inquilinos e tendo que conviver com suas pobrezas e com a solidão.

Nos dias de sempre, é difícil encontrar alguém que seja verdadeiro consigo mesmo. Ou, caso não atinja tal proeza, o homem deve ser sincero no mínimo com a própria inteligência que armazena em seus nervos cerebrais.”

Solitários e melancólicos, cada uma das pessoas que o Senhor Cego conhece possuí sua dificuldade na vida, e é por enxergar a alma de cada uma delas que ele consegue fazê-las ver o melhor que há de melhor em si próprias.

Porque o protagonista da história não enxerga com seus olhos, mas sim com o coração.

E é assim que ele sente empatia pelas almas que conhece; entende suas dores, e as compreende. E é com suas palavras de amor, afeto e gentileza, que o Senhor Cego faz cada alma olhar para dentro de si própria e ver o melhor que existe em seu espírito.

É dessa forma, que toda a narrativa faz o leitor refletir sobre a sua própria vida e os desafios que tem de enfrentar em sua caminhada.

Realismo Magico?

E uma coisa que gostaria de evidenciar na resenha é que o final da obra remete muito ao gênero de Realismo Mágico. Mesmo que este não fique evidente ao longo da narrativa, tive uma boa impressão de que ele está presente no final da obra.

Afinal, quem era o Senhor Cego? E porque ele estava ali para ajudar aquelas pessoas?

Alguém que não consegue se manter vivo enfrentando a realidade, que há de pensar quem se põe apenas a dormir para ficar isolado nos seus sonhos? Pode tal coisa acontecer para o bem?”

Embora esses pontos não sejam esclarecidos durante a leitura, eu fiquei com a sensação de que o Senhor Cego seria uma espécie de mentor que atuou de forma a mostrar para cada um dos habitantes da “Casa dos Pobres” que eles eram bem mais do que achavam ser, que cada um tinha seu próprio valor. Um ser acima do que é ser humano, talvez.

O Senhor Cego, possuí uma bondade sobrenatural, o que me faz sim acreditar que ele era uma espécie de “Ser Benevolente” que estava naquele lugar com o único propósito de acalmar corações e ajudar cada uma daquelas pessoas.

Rabiscos da Casa dos Pobres” é um livro curto que faz o leitor refletir sobre vários aspectos da sua própria vida. Um livro que transmite empatia. Afinal, todos temos nossos próprios fantasmas e devemos tomar cuidado para que eles não tirem a riqueza que existe em nosso espírito.


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