Feira Macabra – K.S Della Capa

Uma coletânea de contos que surpreende. Aqui, todas as histórias possuem reviravoltas em seus desfechos, apresentando Plot Twists que impressionam, principalmente por abordarem as consequências de nossas escolhas.


Nome: Feira Macabra
Autor: K.S Della Capa
Páginas: 133
Editora: Publicação Independente


3_20220408_134259_0002Apesar do nome “Macabro” no título, essa é uma coletânea que não se limita ao horror, apresentando narrativas bem construídas que vão desde histórias bizarras de Terror, até narrativas impressionantes de Ficção Científica.

Aqui, embora tenhamos uma ou outra trama que possua o ‘horror’ em sua essência, nenhuma das narrativas chega a causar aquele sentimento de medo. São histórias que talvez causem certo incomodo, mas não pavor.

E, arrisco a dizer, que todos os contos dessa antologia evidenciam a inconstância e volatilidade humana.

“Era insuportável e por isso ela permaneceu ali. Há certo conforto na dor.”

Ao longo de sete histórias fluídas e bem desenvolvidas, conhecemos contos que apresentam, de forma recorrente, um Plot Twist bem elaborado que surpreende o leitor quando este chega ao desfecho das narrativas.

Em cada texto, fica evidente que o homem é uma criatura inesperada. E é em torno de todas as faces do ser humano que essas histórias são apresentadas.

Confesso que foi devido a essas reviravoltas que eu gostei demais dessa antologia, isso porque cada desfecho é único e impressionante por ser imprevisível. Ou seja, na minha experiência de leitura, todos os finais me surpreenderam positivamente.

A seguir, destaco os cinco contos que mais gostei.

Debate Reflexivo

Em uma noite nada muito normal, Sam recebe a visita de seu “Eu Falecido de outra dimensão”. Apelidando o “Sam Morto” de “Freddy”, ambos revisitam o passado e compartilham memórias e experiências que difere de Sam para Sam. Mas porque o Sam morto está ali? Porque o Sam vivo o chamou?

“Livros foram rasgados , queimados e abandonados por ordem dos militares; e o sistema de educação foi junto. Quando a muralha de livros cede, é quando os ignorantes aproveitam para pular.”

Eu gostei de como o autor não teve pressa para contar essa história, mesmo que como em qualquer conto, esta seja uma trama curta que se lê em menos de uma hora. Um diferencial, é que aqui o leitor se conecta com os personagens ao mesmo tempo em que fica curioso para entender o que está ocorrendo.

Cachorro que come cachorro

Dois amigos de longa data se encontram em meio a uma ponte e começam a colocar o papo em dia. Falando sobre seus dias, suas famílias, seus negócios e relembrando que há pouco tempo ocorreu o assassinato cruel de um garotinho das redondezas. A conversa continua, até que um dos homens convida o amigo para visitar seu local de trabalho.

“Enfrente suas dores e não jogue fora, se não ela vai te seguir feito u cachorro faminto.”

E quem acha que diálogos podem ser desinteressantes ainda não leu esse conto. Aqui temos dois homens jogando conversa fora, apenas isso. Uma narrativa simples, sem nada mirabolante a ser descrito ao longo das páginas, entretanto, é nos diálogos esclarecedores que essa trama ganha força e um final que é mais do que surpreendente.

Ring Ring

Aqui conhecemos um escritor solitário e procrastinador que sente uma enorme falta da sua esposa. Não sabemos o que aconteceu com ela, apenas que ela não está mais presente na vida do homem. Acompanhamos seus dias, suas lembranças e conforme o tempo passa, o leitor finalmente compreende certas coisas… Mas talvez, fosse melhor não entender.

“Um mentiroso não caí nas mentiras.”

Acho que esse é um dos poucos contos da antologia que realmente possuí uma carga mais voltada para o horror. Isso porque conforme o leitor acompanha o retorno das lembranças do personagem, é possível sentir aquele incomodo, visto que perceber o que realmente está acontecendo na trama é bizarro.

Mártir

Nessa narrativa acompanhamos a história de uma pintora que está com bloqueio criativo para pintar as encomendas de um determinado cliente. Com o prazo apertado para finalizar as obras, a moça começa a se lembrar de algumas situações de seu passado; e enquanto seus sentimentos afloram, uma pintura diferente surge na tela.

“Quando deixei de ver a beleza do mundo? E ela mesma se respondeu: Provavelmente nunca vi. Por isso compensou-a em suas obras. Bosques verdejantes. Flores de cores vivas. Pessoas felizes. Nada do que ela realmente vivia. Mas acho que a arte é para isso, né? Enquanto um lado seu é vazio, a arte consegue expurgar seu outro lado como um vômito colorido.”

Esse conto me lembrou “O Retrato de Dorian Gray” em alguns aspectos, não que a história seja parecida, por que não é, são tramas bem distintas; mas existe um ponto semelhante que envolve um pouco da pintura extraordinária feita pela moça e um tanto de loucura. Achei um conto profundo que fala principalmente sobre a solidão e a depressão.

Às Costas

Um caçador está tranquilo trotando em seu cavalo em uma estrada no meio de uma floresta, quando de repente encontra um homem com roupas esfarrapadas que lhe diz que foi atacado por um lobo e lhe pede ajuda para poder recuperar sua mercadoria. Desconfiado, mas disposto a ser um bom samaritano, o caçador resolve ajudar o comerciante.

“Mas as pessoas não querem saber, precisam se alimentar da desgraça alheia, precisam da diversão e da emoção, como se fossem entrar numa casa mal-assombrada.”

E por fim, meu favorito. Eu gostei de como esse conto é construído devagar, com base em uma situação que remete a uma emboscada. Aqui o leitor acompanha dois personagens distintos e se pega ponderando se tudo não passa de um esquema sórdido. A história certa em que podemos aplicar aquela frase “Não confie em ninguém”.

Em “Feira Macabra” temos narrativas que não são voltadas para o horror; o terror até está presente em alguns contos, mas não é o foco; o principal são os desfechos surpreendentes de cada narrativa, finais que mostram o quanto o ser humano é inconstante.


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