Papisa Joana – Donna Woolfolk Cross

Aviso: Essa resenha possuí Spoilers. Continue por sua conta e risco.

Alerta de Gatilhos: Assassinato. Violência. Machismo. Tentativa de Aborto. Violência Sexual. Intolerância Religiosa. Tortura.

Em um século aonde era delegada a mulher a função única e exclusiva de ter filhos e servir ao marido e a casa, nasce Joana, uma garota predestinada a ser uma mulher incrível que mudaria para sempre os leitores que conhecessem sua história.


“Ela era uma aberração da natureza; com um intelecto masculino e um corpo feminino, ela não se encaixava em lugar nenhum. Era como se pertencesse a um terceiro sexo, amorfo.”

Nome: Papisa Joana
Autora: Donna Woolfolk Cross
Páginas: 533
Editora: Geração Editorial


Sinopse: Em um dia forte de nevasca nasceu Joana, uma garota predestinada a ser diferente das outras. Ela cresceu, uma mulher forte e sábia que não aceitava o machismo que existia na sociedade do século IX. Disposta a mudar tudo, ela começa a estudar sendo altamente repreendida e castigada por seu pai que acredita que ela seja uma serva do demônio. É assim, que Joana foge de casa, se veste de homem e busca o conhecimento que tanto ansiava, passando por uma árdua jornada que lhe fez conhecer o amor e os segredos mais profundos e perversos do Vaticano.


Papisa Joana” é aquele tipo de livro que todas as pessoas deveriam ler, principalmente mulheres. Afinal, a força, garra e coragem de Joana é incrível e a torna aquele tipo de personagem guerreira, uma mulher fenomenal que ultrapassa os limites de seu século, se tornando aquilo que todos diriam que ela não podia ser. Joana é fantástica!

“Então, por que ter medo de expor a fé à razão? Se Deus a deu a nós todos, como ela poderia nos afastar Dele?”

Além da protagonista da história, aqui também temos um vislumbre dos podres do Vaticano que ocorriam nos séculos antigos. Podres que vão desde a assassinatos, até transgressões relacionadas a forma como um sacerdote deveria viver sua vida, afinal a prostituição era (é?) comum dentro do papado e mosteiros.

Outro ponto abordado e que faz desse, um romance histórico fenomenal, é o fato da autora, Donna Cross, abordar todo o machismo que existia em relação as mulheres nos séculos passados (e que infelizmente ainda existem no século atual). Aqui, a mulher é relegada a um papel quase inútil, em que só detêm o poder de ter filhos e servir a casa. Joana é diferente e é essa diferença que faz dela perfeita!

Machismo e preconceito religioso do século IX

Em “Papisa Joana”, o machismo e o patriarcado está fortemente presente na narrativa, sendo o responsável por vários momentos de agressões domésticas e de debates relacionados a inteligência feminina frente a lideres religiosos.

Ao longo da trama, Joana faz inimigos com a sua forma irreverente de refletir a posição social da mulher, afinal para ela, não existe nenhuma diferença entre homens e mulheres. Sua forma audaciosa de pensar, não é bem vista pela sociedade religiosa da época, que acha as formas de argumentação da moça uma heresia.

“Quanto a vontade, a mulher deveria ser considerada superior ao homem – Aquilo era muito ousado, mas não havia como voltar atrás agora -, pois Eva comeu da maçã por amor à cultura e ao conhecimento, enquanto Adão comeu simplesmente porque ela pediu que ele comece.”

Além disso, outro ponto bastante abordado no livro é a forma como a igreja católica da época impunha a força a sua religião sobre a dos outros, matando e violando aldeias saxônicas que detinham suas próprias crenças e cultivavam seus próprios deuses.

Esses povos, eram massacrados, subjugados e chamados de pagãos apenas por terem uma visão diferente sobre “Fé”.

Intrigas religiosas e podres do Vaticano

Não é apenas esses momentos de guerras saxônicas que são abordadas dentro de “Papisa Joana”. A obra também relata como o próprio papado era uma instituição dotada de intrigas, falsidades e traições.

“Havia homens que valorizavam mais as sólidas vantagens desta vida aos vagos e abstratos terrores da outra, e que portanto não hesitariam em mentir.”

Aqui, conhecemos sacerdotes que fariam de tudo para ascender ao papado, inclusive atear fogo a uma cidade inteira sem pensar nas consequências, matando centenas de civis. Artimanhas também são empregadas para destituir a confiança que um papa tem por algum servo, como ocorre com Joana quando armam para que ela seja encontrada na cama com uma meretriz.

Além disso, assassinatos de papas bem como orgias e prostituição estão presentes ao longo de toda a narrativa, sendo os principais motivos para transgressões papais. É interessante, ver como a Igreja Católica tenta a todo custo esconder seus podres por debaixo do tapete.

Ambientação do século IX

Uma das coisas mais apreciativas em toda a obra de “Papisa Joana”, são as belas descrições feitas pela autora, Donna Woolfolk Cross, que descreve com minúcia os cantos e recantos mais importantes da grande Roma do século IX. Desde os locais mais belos, até os mais infames.

“Carlos, o Grande. Será que as pessoas o chamariam assim se tivessem visto o exército dele arrancando bebês saxões dos braços de suas mães, rodopiando-os antes de arrebentar suas cabeças contra as pedras avermelhadas?”

Aqui, conhecemos a beleza dourada do Vaticano que se contrapõe com a miséria e pobreza que atingia os miseráveis. Conhecemos as belas e sombrias construções góticas de mosteiros e as simples e modestas vilas camponesas de uma Europa medieval.

Todas essas descrições, tem um contraste forte com as guerras que presenciamos, desde a batalha de Fontenoy até a invasão de sarracenos em Roma, que saquearam de forma violenta o sacerdócio de São Pedro. Descrições belíssimas e cruéis de guerras que ocorreram em um século que a violência entre os homens imperava.

A papisa Joana

E claro, que uma resenha de “Papisa Joana” não pode deixar de fora a menção a protagonista incrível dessa história.

Joana é uma personagem extraordinária. Uma menina que cresce em um seio familiar regado de machismo e religião, sendo maltratada constantemente por seu pai religioso e vendo sua mãe sofrer abusos físicos e psicológicos nas mãos de um homem que acredita que a mulher seja inferior.

Ver Joana se cansar dos abusos sofridos e resolver dar um destino melhor a sua própria vida é libertador. Assim como é fantástico acompanhar a menina conseguindo estudar e se tornar uma mulher que cresceu com a mente diferente, que deixa de seguir as normas de uma sociedade machista e patriarcal, que passa a ser ela mesma a dona de si própria.

“O que havia de errado com ela, que não desistia de seus sonhos impossíveis? Todo mundo lhe dizia que seu desejo de aprender era desnaturado. No entanto, ela tinha sede de conhecimento, ansiava por explorar o mundo mais vasto das ideias e das oportunidades abertas para as pessoas cultas.”

Joana alcança sua independência e não apenas isso, alcança seus sonhos e se torna aquilo que ela sempre desejou ser, uma mulher importante e inspiradora dentro da sociedade preconceituosa em que vive.

A moça é fantástica, desde de sua trajetória até os inúmeros questionamentos que faz a si mesma dentro da narrativa, sejam eles acerca de Deus, ou mesmo do porque das mulheres não são dignas de estudar e ter privilégios como os homens. É devido a toda a sua astúcia, que ela cria uma escola para mulheres, algo considerado herege pelos religiosos, mas que pode ter sido o estopim para grandes mudanças.

Mas afinal, ela existiu?

Esse é o grande questionamento de todo o livro, afinal na nota final da autora, a mesma informa que existem provas de que Joana tenha realmente existido e provas que refutam essa informação.

Apesar de “Papisa Joana” ser um livro mais ficção que baseado em fatos, Cross informa ao leitor em sua nota que boa parte do livro foi baseado em fatos históricos, inclusive a própria Joana, visto que existem registros de seu nascimento, vida e morte.

“O botão de uma rosa cresce na escuridão. Nada sabe do sol, no entanto se desenvolve nas trevas que a confinam, até que a última muralha cede e a rosa desabrocha, abrindo suas pétalas para a luz.”

Claro, que tudo fica nublado, afinal o Vaticano jamais deixaria o mundo saber que uma mulher chegou a governar como Papa. Infelizmente, como sabemos, o papado é algo exercido apenas por homens até os dias de hoje. Injusto? Com toda a certeza.

Enfim, existindo ou não, basta sabermos que Joana foi excepcional e que sua história tem muito a ensinar a todas as mulheres que aspiram grandiosidade para suas vidas.

O Romance e o final

Apesar de não ser o foco de “Papisa Joana”, aqui temos um breve romance entre Joana e um certo cavaleiro.

Confesso, que foi exatamente esse amor que me fez pensar em alguns momentos que a moça deveria desistir de tudo para ser feliz. Um erro eu diria. Afinal, ela jamais seria feliz se tivesse desistido de tudo por amor.

Talvez, esse seja o ponto mais incrível de todo o livro. Ao mesmo tempo em que Joana não desiste de seus sonhos para viver ao lado do grande amor de sua vida. Este mesmo amor foi a sua ruína e destruição. Afinal, um amor tão imenso quanto o de Joana e seu cavaleiro, não ficaria apenas em palavras e beijos calorosos…

“A sua inteligência inquisitiva, a sua disposição a desafiar e questionar ideias que o resto do mundo aceitava como verdade imutáveis, enchiam-no de admiração.”

E é esse romance que culmina no final de moça, um desfecho de partir o coração, mas esperado. Afinal, por quanto tempo ela conseguiria esconder de todos a sua verdadeira identidade? Por quanto tempo continuaria fingindo ser João Ânglico?

Apesar de trágico, creio que esse tenha sido o desfecho perfeito para uma mulher extraordinária, afinal se pararmos para pensar, caso fosse descoberta, Joana teria sido julgada como criminosa e receberia a pena de morte de uma forma horrível, muito provavelmente na fogueira, sendo queimada viva como sua xará Joana D’Arc.

Papisa Joana” é um livro extraordinário que todas as mulheres deveriam ler. Uma jornada que mostra o quanto nós, mulheres, somos grandiosas. Além disso, essa é uma obra que detêm críticas severas ao vaticano e seu ambiente, visto que o papado até hoje é exclusivo de homens, mas Joana esteve lá.

E sim, eu prefiro acreditar que toda a jornada dela tenha sido real, afinal é sabido que o Vaticano tende a esconder certas coisas debaixo do tapete.


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