Corte de Espinhos e Rosas – Sarah J. Maas

Aviso: Essa resenha contêm Spoilers. Continue por sua conta e risco!

Aviso: “Corte de Espinhos e Rosas” é uma fantasia romântica que contêm cenas descritas para adultos. Portanto, é uma obra para maiores de 18 anos. Leia com responsabilidade!

Um reconto da “Bela e a Fera” que entrega ao leitor o melhor da fantasia e do romance. O primeiro livro de uma série que possuí muito a mostrar, desde o fantástico mundo criado pela autora até o romance avassalador que surge e pode surgir entre os personagens.


“Às vezes, se encarasse o teto por muito tempo, ele se tornava a ampla extensão do céu estrelado, e eu me tornava algo pequeno e pouco importante, soprado pelo vento.”

Nome: Corte de Espinhos e Rosas
Autor: Sarah J. Maas
Páginas: 430
Editora: Galera Record


Sinopse: Para evitar que sua família passe fome durante o rigoroso inverno de Prythian, Feyre caçava animais em um bosque perto do chalé aonde vivia, abatendo os mais diversos tipos de presas. Um dia, a moça se depara com um enorme lobo cinzento, tendo de matá-lo, afinal o predador poderia ser um grande transtorno para o lugar em que vive. O que a caçadora não sabia é que o assassinato daquele lobo mudaria sua vida para todo o sempre.


Corte de Espinhos e Rosas” é aquele tipo de livro que conquista o coração do leitor por ter sido escrito para se tornar um best-seller. Com uma narrativa em primeira pessoa, a autora, Sarah J. Maas, consegue transportar o leitor aos recantos mais escuros e sombrios da mente de sua protagonista, Feyre.

“Então, bebi vorazmente aquele vinho e parei de me importar com quem eu era, e com o que um dia importara para mim. Parei de pensar em cores, em luzes, no verde dos olhos de Tamlin… em todas aquelas coisas que eu ainda queria pintar e que agora jamais conseguiria. Não deixaria aquela montanha com vida.”

A obra, é uma fantasia romântica em que o romance é o tema central a ser abordado. A fantasia fica em segundo plano, servindo apenas como um pano de fundo de toda a trama, mas nem por isso, deixa de ser grandiosa ou bem construída. Toda a magia do universo criado por Maas é absolutamente fantástica de ler e enche os olhos de qualquer leitor.

Ademais, uma coisa que chamou a minha atenção, foi o fato da protagonista não ter me cativado em nenhum momento da narrativa, mas, ainda assim, ter conquistado o meu respeito. Feyre é uma humana com complexo de heroína, suas falhas são evidentes, mas a construção da personagem e de sua vulnerabilidade é um mérito exclusivo da autora.

Feyre… A Chata

Devo admitir que Feyre foi um dos grandes pontos que me fez torcer o nariz durante quase toda a narrativa de “Corte de Espinhos e Rosas”. A mocinha não é do tipo que eu gosto de acompanhar, pelo simples fato de ser lamuriosa e dependente ao extremo.

“Ela vencera; somente trapaceando eu sobrevivi. Tamlin jamais seria livre, e eu pereceria da pior das maneiras. Não sabia ler; era uma ignorante, uma tola humana. Minhas falhas tinham me perseguido, e aquele lugar se tornaria meu túmulo. Eu jamais pintaria de novo; nunca veria o sol novamente.”

Porque sim, Feyre se torna uma mulher totalmente dependente de Tamlin ao longo da trama e isso fica evidente com o fato dela ter corrido em direção a “morte” para salvá-lo. Uma humana querendo lutar contra feéricos? Sério, isso pra mim é ser dependente. E entendo, que Feyre vislumbrou em Tamlin um carinho que ela nunca teve, mas mesmo assim, a personagem não parece nem um pouco com a caçadora que desponta nos primeiros capítulos.

Infelizmente, uma construção que me afastou de gostar da moça.

Outro ponto que me fez não gostar de Feyre, é o fato dela ser autodepreciativa. Veja bem, a trama é narrada em primeira pessoa através do olhar da protagonista, mas em vários momentos, a mesma se coloca pra baixo se chamando de burra e analfabeta por não saber ler. Entendo que é a construção dela e que muito provavelmente verei uma evolução da personagem no segundo e terceiro livro, mas não posso deixar de mencionar que esses pontos me incomodaram.

Feyre… A admirável

Mas, o fato de eu não ter gostado da protagonista em um primeiro momento, não me faz não respeitá-la. Isso porque, a personagem merece minha admiração devido a sua coragem.

“A morte não estava apenas pairando naquele corredor; ela estava fazendo a contagem regressiva nas batidas restantes no coração do feérico”

Sim, Feyre foi totalmente inconsequente em sair correndo para um lugar em que poderia morrer apenas para salvar seu amado Tamlin. Porém, eu enxergo nobreza em sua atitude, afinal ela salvaria todo um reino, seres que estavam prestes a ruir nas garras de um personagem demoníaco.

Inconsequente? Sim, mas corajosa.

É por esse motivo que Feyre ganhou meu respeito.

Sendo assim, será fácil gostar dela em próximos volumes, afinal depois de tantas coisas o que é de se esperar é que a protagonista cresça e amadureça, se tornando uma personagem forte e destemida e voltando a ser aquela mulher do início do livro, independente o suficiente para não depender de ninguém principalmente de um homem.

Feyre… A humana

E é devido a isso que esse tópico não pode deixar de ser mencionado. Eu gostei demais da condução de Sarah J. Maas durante os momentos finais da narrativa.

O primeiro ponto a destacar, é o fato de que a autora em nenhum momento esqueceu que sua personagem era humana. Feyre estava disposta a fazer tudo para salvar o mundo dos feéricos, inclusive morrer. E é isso que vemos durante todas as três tarefas impostas pela vilã, Amarantha. Uma personagem que luta e usa de sua inteligência, mas que quase morre durante todo o processo.

“Agradeça por seu coração humano, Feyre. Tenha piedade daqueles que não sentem nada.”

Já o segundo ponto que quero destacar, é em como a autora resolveu o problema de sua personagem ser apenas humana; colocando feéricos para ajudá-la. Claro que Feyre jamais conseguiria vencer as tarefas de Amarantha sozinha e precisava de ajuda, isso deu uma verossimilhança incrível a narrativa. Afinal, a personagem tem a ajuda de Lucien e Rhysand durante todas as provas.

Dessa forma, é possível crer que Feyre venceu não por sua coragem humana, mas sim por ter a vontade de querer mudar alguma coisa. Ela conseguiu vencer porque sua força de vontade inspirou a todos a querer fazer a diferença.

Um verdadeiro vilão

E que vilão foi esse? Ou melhor vilã. Porque a mulher é de peso.

Corte de Espinhos e Rosas” consegue brindar o leitor com uma vilã perversa e cruel ao extremo. Uma personagem que destila ódio em suas palavras inspirando o leitor a sentir o mesmo por ela, ou, para aqueles mais sádicos, admirarem a sua maldade e frieza.

“Aquilo não era música feita para dançar – era música feita para adorar, música para preencher o vazio em minha alma, para me levar a um lugar onde não havia dor.”

Confesso que faço parte do segundo grupo de leitores. Eu gosto de vilões sádicos, macabros e que são bem construídos, vilões que inspiram medo. Eles são os melhores. E devo dizer que Amarantha me conquistou exatamente por ser malvada e cruel ao extremo.

Uma vilã que não é má por ser má. Mas sim, má porque a vida e as consequências de escolhas e principalmente as consequências da guerra a fizeram ser má. Amarantha teve tirado de si aquilo que ela mais amava. E assim como Feyre, eu consigo entender suas motivações apesar de não concordar com elas.

A única coisa que me decepcionou acerca da vilã, foi seu final ter sido rápido demais, sua morte ter sido rápida demais e construída em apenas dois parágrafos. A mulher fez tanta maldade e morreu tão rápido… No mínimo, acho que ela deveria ter se tornado um anel como Jurian, assim, sua condenação seria eterna.

Romance e Fantasia

E agora vamos falar da narrativa em si.

Corte de Espinhos e Rosaspossuí um pé na Fantasia e uma perna no Romance. Aqui, fica claro que a trama em si gira muito mais em torno do romance e da construção gradual dos sentimentos que surgem entre Feyre e Tamlin, do que da fantasia em si. E embora, mesmo sendo um pano de fundo, o mundo fantástico é muito bem construído.

A fantasia e o universo criado e desenvolvido lentamente pela autora é maravilhoso de ler. Um mundo criado com suas próprias leis, repleto de criaturas fantásticas, festejos e rituais. Sem dúvida, uma obra que consegue cativar devido a beleza apresentada ao longo da narrativa, com as diversas descrições em torno da Corte Primaveril ou mesmo a beleza branca do bosque em que Feyre vive.

“Velha; aquela floresta era antiga. E viva, de uma forma que eu não conseguia descrever, apenas sentir, bem no fundo dos ossos. Talvez eu fosse a primeira humana em quinhentos anos a caminhar sob aqueles galhos escuros e pesados, a cheirar o frescor das folhas de primavera, que escondia a podridão úmida e espessa.”

Quanto ao romance, devo admitir que apesar deste tornar a narrativa lenta, consegue criar um laço entre os personagens. A química de Feyre e Tamlin acontece e é gradual, não é de uma hora para outra, mas desenvolvida de forma morosa pela autora. Algo que convence e não faz o romance parecer jogado na trama, mas sim surgir ao longo do enredo.

Ademais, é justamente o romance e o progresso dele que torna essa uma narrativa arrastada. Além de termos Feyre o tempo todo agindo de forma infantil, também temos o desenvolvimento de seu relacionamento com Tamlin e de sua amizade com Lucien. São pontos importantes para que a narrativa se construa, mas confesso que essa construção é prolongada demais.

Final e o que esperar dos próximos volumes

A primeira coisa que tenho que destacar nesse tópico, é o fato de que existem personagens mais cativantes do que Feyre e Tamlin. E sim, estou falando de Rhysand.

Então, para o segundo livro eu espero que tenhamos um pouco mais do Grão Senhor da Corte Noturna, assim como um pouco mais de ação, ou melhor ações. Também não posso deixar de dizer que espero um amadurecimento da protagonista, Feyre, agora como Grã Senhora nada mais justo do que ela amadurecer seu próprio espírito e parar de se autodepreciar, afinal ela salvou um mundo inteiro.

“A música eram os dedos de Tamlin tocando meu corpo; era o dourado dos olhos dele, e seu sorriso torto. Era aquela risada baixa e rouca, e o modo como ele dissera aquelas três palavras. Era Tamlin. Era por isso que eu estava lutando, era isso que eu jurara salvar.”

Ou seja, eu tenho expectativas fortes para o segundo e terceiro volume. Afinal, eu gostei da história e quero mergulhar um pouco mais no universo criado por Sarah J. Maas. Confesso que não foi meu livro favorito e que eu não amei, mas gostei e espero me surpreender.

Corte de Espinhos e Rosas” é a porta de entrada para um universo único de fantasia, por isso, a trama é um tanto quanto lenta em seu início. Aqui, temos personagens interessantes que podem evoluir nos próximos livros, principalmente Feyre, que por mais que não tenha me conquistado, conseguiu ganhar meu respeito, afinal ela é uma humana e salvou um mundo, que mulher assim não conquista respeito?


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