Depois vá ver o Mar – Bruno Muniz

Livro recebido em parceria com a agência literária Oasys Cultural!

Eu não leio muitos livros de poesia, mas geralmente, quando pego um pra ler, ele quase sempre consegue me surpreender de forma positiva com as palavras certas, os parágrafos certos e as colocações certas.
Eu me senti assim, ao conhecer “Depois vá ver o mar” do Bruno Muniz.


“Os poetas tem a alma abençoada
por uma tristeza que acaba.”

Nome: Depois vá ver o Mar: Cartas para lembrar se nada acontecer”
Autor: Bruno Muniz
Editora: Kelps
Páginas: 235


Sinopse: Aqui, conhecemos a história de um Carteiro sem nome, que ama indefinidamente sua profissão. Idolatrando o fato de carregar dentro de sua bolsa, correspondências que possuem histórias e segredos que serão enviados para alguém em algum lugar do país. Sua narrativa, começa quando, por acidente, ele lê a frase “Não me procure novamente” em uma das cartas. É a partir desse evento, que ele passa a ler as correspondências que carrega e procura resolver assuntos pendentes entre casais, fazendo-os ter uma segunda chance.


Ressalto, que o ato de abrir correspondências alheias, é considerado crime previsto no artigo 151 do Código Penal. Entretanto, esse ato não vêm ao caso. O que importa mesmo, é que através da curiosidade e porque não dizer, bom coração, do nosso Carteiro Romântico, o leitor pode conhecer os mais belos poemas descritos ao longo da obra.

“Se perderes teu poema,
anda firme,
dou-te os meus.
Se perderes os bocados,
anda firme,
dou-te os meus.
Se perderes teus sonhos,
pobre mulambo tristonho,
me basta que rias,
mil sorriso teus,
e terás sempre os braços
envoltos num par dos meus.”

Aqui, temos poemas que falam exclusivamente sobre o amor. Textos que apresentam casais, de diversas formas. Um livro repleto de representatividade, que exalta não apenas o amor entre duas pessoas, mas também a amizade, já que o leitor pode ler fragmentos de correspondências em formas de versos, escritos entre dois amigos, como uma forma de confidência.

“Um pedido
Um sorriso
Um carinho
Um abraço
Um segundo
Nada mais no mundo.”

Afirmo, que cada poema possuí uma forma única, podendo ou não representar algo mais íntimo ao leitor. Ao longo da leitura, é possível sentir diversas emoções e sensações com os textos descritos com beleza e suavidade nas palavras. Palavras estas, que foram selecionadas a dedo pelo autor para compor os mais belos e oníricos versos.

Um livro diferente dos demais

Existem dois aspectos pertinentes na obra, que torna esse um livro de poesias diferente dos demais do gênero.

O primeiro, diz respeito ao fato dele ter um personagem narrador; o Carteiro que conhecemos ao longo da narrativa. É, esse personagem que vai apresentar os poemas ao leitor, mas também ter a sua vez na trama, contando ao longo de alguns capítulos aleatórios um pouco da sua vida. É assim, que o leitor tem a oportunidade de conhecer e sentir empatia pelo profissional.

“Do amor que cega os rumos
é que o poeta se esbalda.
Onde o caminho desanda
é o poema se escalda.
A poesia que arranca
é a mesma que nasce a alma.”

O segundo aspecto, diz respeito ao fato de que todos os textos possuem uma marcação lateral de corte, para que o leitor possa destacar seus poemas preferidos e o enviar para uma pessoa querida. Além disso, ressalto que o exemplar é acompanhado por dois envelopes que possuem um selo com a capa do livro. Brindes originais, singelos e que fazem total sentido dentro do contexto da obra.

Você ainda envia cartas?

Uma coisa que senti enquanto fazia a leitura de “Depois vá ver o Mar“, é o fato de como a nossa sociedade mudou e evoluiu de forma tecnológica, deixando hábitos para trás, fazendo-os serem esquecidos no tecido do passado.

A história do Carteiro se passa antes dos anos 90, numa época em que os computadores, telefones e aparelhos celulares não eram populares e o envio de cartas para parentes distantes, era a única forma de se fazer contato com os entes queridos. Diante disso, é interessante perceber como a sociedade evoluiu.

“Te amo sem meses
te amo sem traços
te amo mil vezes
(cortadas nos dedos)
Te amo às encostas
te amo em minhas preces
te amo em dueto:
teu beijo e meu beijo.
Te amo até triste
até quando é tarde
te amo tão amo
que até sem morreres
te amo em saudades.”

Hoje em dia, se pararmos para pensar, quantas pessoas enviam cartas umas as outras? É algo raro, que muito provavelmente só seja feito por pessoas de mais idade. Felizmente, acho que podemos de alguma forma mudar isso e tentar ter um momento de nostalgia, afinal o passado não retorna.

Que tal, guardar uma lembrança bonita sua para a posteridade? Escreva cartas para si mesmo endereçadas para alguns anos no futuro. Quando chegar na data que você estipulou, leia suas correspondências e se surpreenda com as boas lembranças que vão invadir sua mente.

“Quem ama leva nos olhos toda a beleza do mundo,
que por mais que bela
e por mais que toda,
não deixa de ser cega,
não deixa de ser tola.”

Depois vá ver o Mar” é uma coletânea de poemas que consegue transmitir ao leitor o mais puro, belo e singelo amor. Conhecer o “Carteiro” é conhecer um homem que apesar de cometer um crime, tem o álibi de ter ajudado casais a se reconciliarem ao longo da vida, o que faz com seu ato seja irrelevante.


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3 comentários em “Depois vá ver o Mar – Bruno Muniz

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