[Conto #04] Reviver – Cirlleni Condados

Tenho o costume de ficar de olho nos e-books gratuitos da Amazon, já que quase sempre sou surpreendida de forma positiva com alguma história. E esse foi o caso com a leitura de “Reviver“. Admito que além de ser um conto belíssimo, também foi um dos mais tristes que li nos últimos tempos.



Nome: Reviver
Autor: Cirlleni Condados
Páginas: 37
Editora: Publicação Independente


Carlos é um rapaz que trabalha como entregador de jornais e é apaixonado por Rosa. Um dia ele resolve se declarar para a moça e pede a ajuda de sua amiga Teresinha. No entanto, ela não é muito receptiva à ideia e ajuda Carlos um pouco à contragosto.

Estou impaciente. Ando de um lado para o outro, observando minuciosamente todo o salão, e não a vejo. Será que ela desistiu de vir depois do meu bilhete?”

É então que em um bailinho de final de semana o rapaz se declara para sua amada e a pede em namoro, mas para sua surpresa, Rosa não aceita o pedido e lhe confessa algo que o rapaz não estava esperando.

O que a moça contou para Carlos?

~Minhas Impressões~

Que conto mais lindo e triste é esse? Uma das histórias mais simples e emocionantes que tive o prazer de conhecer nesse ano de 2021.

Através do ponto de vista de três personagens distintos; Carlos, Teresinha e Rosa, somos apresentados a uma narrativa que mescla a vida de cada um dos protagonistas, se moldando em uma trama simples, que cativa o leitor por ser agradável e repleta de referências aos anos 60.

E mesmo sendo um conto com pouco mais de 30 páginas, o desenvolvimento dos personagens é muito bem feito. Aqui temos três amigos que possuem sentimentos, medos, inseguranças e paixões. Cada um com suas próprias características moldadas e lapidadas na trama, o que confere um ar de verossimilhança para eles, mesmo que a obra termine rápido demais.

“Agora, com ela em meus braços, sinto que sempre quis tê-la aqui, achava que fosse pela amizade. Será que a amo?”

Devo destacar, que essa é uma história que precisa ser curta e a autora faz isso com prudência. Condados não estende o enredo e apresenta, de forma moderada, conflitos a serem solucionados, sem tornar a trama monótona. Em “Reviver” tudo se resolve de maneira corriqueira.

Uma história regada de doçura, amor, amizade e companheirismo. O tipo de narrativa que encanta e cativa, justamente por proporcionar ao leitor poucos minutos de emoção, o fazendo terminar a leitura com o coração quentinho e uma saudade ou vontade conhecer os anos 60.

Nostalgia

Ah, mas como foi nostálgico conhecer a história de Carlos, Rosa e Teresinha.

Primeiro porque os anos 60 está em praticamente tudo desse conto. Desde os vestidos rodados que as meninas usam, o bailinho ao qual Carlos decide pedir Rosa em namoro, as músicas citadas que remetem à Bossa Nova e ao Rei do Rock, Elvis Presley. Às saídas adolescentes para praias ou parques de diversão e até mesmo o emprego de Carlos, que entregava jornais na rua. E também, não posso esquecer de mencionar, a sútil referência a saudosa Carmem Miranda.

“Ela anda em minha direção, linda, faceira, fantasiada de Carmem Miranda, com uma saia de babados coloridos, um top verde lembrando um abacaxi e a cabeça cheia de flores e frutas tropicais.”

Toda essa nostalgia, além de tornar “Reviver” uma história única, também trás aquele sentimento de conforto. Visitar um passado que não é tão distante, mas que não volta mais, é belo e triste ao mesmo tempo. E, embora eu tenha nascido muito após os anos 60, essa é uma época pela qual tenho um imenso carinho, já que durante minha infância e pré-adolescência, ouvia o relato apaixonado de meus falecidos avós que exaltavam esse período.

Uma nostalgia que certamente encanta velhos e novos leitores. Aqueles que querem conhecer um pouco mais dos anos 60 e aqueles que querem revisitar o tempo áureo que não volta mais.

Solidão

Acredito que o foco principal da trama seja retratar a solidão. Afinal, a história é nada mais que um sonho de Carlos que já com seus quase 90 anos, “revive” a parte mais doce e bela de seu passado. Os amores, a paixão ardente e o tempo que se foi e não volta.

É uma história belíssima, mas ao mesmo tempo triste, principalmente quando percebemos que Carlos, agora na velhice se encontra sozinho, sem o amor de sua vida e tem que se contentar apenas com as velhas e belas lembranças que guarda em sua memória e em seu coração.

“Caminho até a mulher que estou apaixonado, ajoelho-me, retiro do bolso da minha calça a caixinha, abro e inclino o anel de noivado em sua direção. Assim que ela leva as mãos a boca, com os olhos assustados e marejados de emoção, tenho certeza que essa é a melhor decisão da minha vida.”

Ou seja, “Reviver” é um conto que fala, em especial sobre saudade. E mesmo que eu não queira dar qualquer spoilers na resenha, a arte belíssima da capa e o título sugestionável faz isso por conta própria.

Um conto que indico para aqueles que desejam ler algo leve que aquece o coração e para os amantes de histórias simples e nostálgicas. Um conto singelo, que encanta os leitores jovens pela trama delicada e aos mais velhos por transportá-los à um passado não tão distante.


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