Flores para Algernon – Daniel Keys

Um livro que emociona, que faz refletir e que mostra que as vezes ser gentil e agradável com as pessoas é mais importante do que ser inteligente. Uma história que desperta a empatia e mostra como o ser humano é falho em lidar com o diferente e cruel em lidar com pessoas que acredita que não são do mesmo nível intelectual.


“Apenas pouco tempo atrás aprendi que as pessoas riram de mim. Agora consigo ver que inconscientemente me juntei a eles, rindo de mim mesmo. Isso dói mais que tudo.”

Nome: Flores para Algernon
Autor: Daniel Keyes
Editora: Aleph
Páginas: 288


Sinopse: Charlie Gordon é um homem de 32 anos que possui uma grave deficiência intelectual. Vítima de bullying constante de seus colegas de trabalho, o rapaz quer apenas ser inteligente para ter amigos. A sorte então, bate em sua porta quando ele se candidata para participar de um experimento que promete aumentar a sua capacidade intelectual. E assim, após passar pela cirurgia, Charlie se torna um homem incrivelmente inteligente, chegando a ultrapassar a intelectualidade dos próprios médicos. No entanto, a inteligência caminha lado a lado com a realidade e a arrogância…


Flores para Algernon” é aquele tipo de livro que desperta empatia no leitor. Isso porque o protagonista é uma pessoa tão inocente e ingênua que é praticamente impossível não se apegar a ele logo nas primeiras páginas da história. Um rapaz que apenas quer ser inteligente para conseguir ter amigos. Ao mesmo tempo que sua motivação é linda, se torna triste, já que Charlie por ter um nível intelectual muito baixo é constantemente vítima de bullying e chacota, tanto em seu ambiente de trabalho, quanto em sua própria família.

“Não mimporto muito em ser famoso. Só quero ser esperto como as outras peçoas para poder ter amigus que gostam de mim.”

O livro é narrado através da visão de Charlie e como de início ele não tem um QI alto, sua escrita é bastante precária. Ou seja, nos primeiros capítulos o leitor se depara com inúmeros erros gramaticais e ortográficos (propositais) o que pode tornar a leitura um pouco mais lenta no começo, no entanto, essa é uma forma de Keyes mostrar ao longo da trama todo o progresso do personagem que se torna cada dia um pouco mais inteligente, chegando até mesmo a ultrapassar a inteligência dos cientistas que fizeram o experimento com ele.

A solidão

Esse é um dos pontos mais tristes discutidos na obra; a solidão de Charlie Gordon.

Charlie a princípio deseja se tornar um rapaz inteligente porque se sente sozinho. Ele não consegue participar de conversas com seus “amigos” do trabalho porque não entende o teor delas, então seu maior desejo é conseguir conquistar um espaço na vida das pessoas e ter alguns amigos.


Porém, quando Charlie passa pela cirurgia e aumenta gradativamente a sua inteligência, ele acaba se encontrando tão sozinho e solitário quanto quando seu QI era baixo e as pessoas a sua volta o consideravam burro. E muito disso se deve ao fato de que junto com a grande inteligência que o rapaz adquire, ele também se torna arrogante, o que o faz ser mal visto tanto pelos cientistas, quanto pelos seus “amigos” da padaria.

“Estava tudo bem enquanto eles pudessem rir de mim e parecer inteligentes à minha custa, mas agora eles se sentiam inferiores ao imbecil. Comecei a ver que, por meio do meu surpreendente crescimento, eu os fiz encolher e enfatizei suas inadequações. Eu os havia traído, e eles me odiavam por isso.”

O fato é que Charlie começa a entender coisas que antes não faziam sentido para si e dessa forma compreende e se sente mal por todas as vezes que riram dele, que tiraram sarro dele e que ele serviu de chacota. O rapaz se vê então diante da dura verdade, ninguém ria para ele, mas sim, dele e isso o machuca e o corrói por dentro, o tornando uma pessoa fechada e fria para o mundo. Alguém com grandes dificuldades de se relacionar.

Não sou uma cobaia. Sou um ser humano.

Outro ponto triste que é abordado na trama e que chegou a me dar um aperto no coração toda vez que eu lia as considerações de Charlie, foi o fato de que ele nunca foi visto ou tratado pelos cientistas como um ser humano, mas sim como uma espécie de cobaia de laboratório que serviria para testar um experimento que não se tinha certeza da eficácia.

Essa forma de tratar Charlie como uma cobaia e não como um ser humano é bastante evidente quando os cientistas o levam a um congresso. Eles não fazem isso para que o rapaz fale como um deles e mostre seu avanço intelectual, mas sim como um experimento que aparentemente deu certo. O protagonista então entende que para aqueles homens dotados de inteligência ele não era um ser humano, apenas um experimento.

“Ele comete o mesmo erro que os outros quando olham para uma pessoa de mente débil e riem porque não entendem que existem sentimentos humanos envolvidos. Ele não percebe que eu era uma pessoa antes de vir para cá.”

Essa visão é imensamente triste e ocorre principalmente para que Charlie tenha seu ponto de virada na trama e passe a querer entender os processos utilizados no experimento. E é a partir daí que ele descobre que a cirurgia feita nele é falha e que as chances de sua mente se deteriorar aos poucos e ele ficar com o intelecto mais baixo do que antes são grandes.

O preconceito

Um terceiro ponto de partir o coração que é abordado na obra é a questão do preconceito que as pessoas dotadas de pouco QI sofrem.

Ao longo da narrativa, Charlie se lembra diversas vezes de momentos de sua infância que foram traumáticos para ele, principalmente momentos relacionados a sua mãe que o maltratava e não entendia que ele era diferente, que ele tinha uma condição mental que o tornava mais lento do que a maioria das pessoas. Para ela, Charlie era apenas preguiçoso ou como em vários momentos ela cita na obra um “anormal”.

Ver o preconceito assim tão nítido e tão forte principalmente dentro do seio familiar é terrível, triste e desumano. Em vários momentos me peguei bastante emocionada com a infância de Charlie. Uma infância que não teve carinho, em que ele era apenas levado a médicos e mais médicos para que tentassem em vão torná-lo inteligente. Uma infância permeada por medo, principalmente porque qualquer motivo era o suficiente para ele ser agredido física e psicologicamente por sua mãe.

“Que estranho é o fato de pessoas de sensibilidade e sentimentos honestos, que não tirariam vantagem de um homem que nasceu sem braços ou pernas ou olhos, não verem problema em maltratar um homem com pouca inteligência.”

Sim, esses momentos são fortes. Mas, são necessários. A vida de Charlie é triste e ver como ele encara todas essas questões durante o período em que não possui uma inteligência tão grande é mais triste ainda. Charlie não entende. E é isso que nos cativa e nos faz querer protegê-lo de todo o mal. A empatia que passamos a sentir por ele.

E o que aprendemos?

A história de Charlie Gordon é essencial para nós seres humanos, principalmente para nos fazer ter empatia com o próximo. Os momentos em que acompanhamos o bullying que os “amigos” de Charlie fazem com ele, são necessários para nos mostrar como o ser humano pode ser cruel, egoísta, maldoso e mesquinho.

Quero destacar inclusive uma das cenas que mais me emocionou durante a leitura.

A cena em questão é de quando Charlie já inteligente vai até um restaurante e se depara com um rapaz de condições semelhantes a dele, um garoto que possui uma baixa inteligência e que deixa alguns pratos caírem no chão, se atrapalhando um pouco. Nesse trecho, todos os presentes no restaurante riem e zombam do rapaz, inclusive o próprio Charlie que ao perceber que estava diante do seu “eu” do passado, se enfurece com as pessoas em volta e sente vergonha de si mesmo.

Esse trecho é necessário para exemplificar como o ser humano tem tendência a ser maldoso. E essa mesma cena mostra que apenas ao entendermos como essas atitudes são cruéis é que nos tornamos pessoas empáticas com o próximo e entendemos suas limitações sem zombar delas.

Flores para Algernon” é uma história necessária que nos ensina como ter empatia pelo próximo. Um livro necessário para que nós, seres humanos dotados de inteligência mediana ou alta, saibamos o quão doloroso é zombar de pessoas de baixa inteligência. Uma história que nos fará ver o quanto ser gentil com o próximo é mais importante do quer ser um poço de inteligência e arrogância.


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