[Conto #02] A Sombra – Hans Cristian Andersen

Recentemente optei por pegar um livro de contos para ler, apenas para me distrair já que não queria ler nenhum livro longo. Qual foi a minha surpresa quando escolhi um conto que já havia lido na época da adolescência e que havia me marcado muito, mas que eu não fazia ideia do nome ou autor.



Nome: A sombra
Autor: Hans Cristian Andersen
Antologia: “Os melhores Contos Fantásticos”
Editora: Nova Fronteira


Em um belo dia de uma manhã quente, um conhecido erudito intelectual fica curioso acerca da bela casa vizinha à sua que por algum motivo desconhecido sempre mantém uma janela aberta.

Movido pelo interesse de saber quem mora naquela residência, ele acaba libertando sua sombra de seu corpo, transformando o espectro que estava destinado a viver sob seus pés em um ser vivo que desaparece de sua vida.

“O estrangeiro se virou, e a sombra se virou também. Se alguém estivesse observando de perto, veria que a sombra entrou pela porta semiaberta da sacada da casa em frente, no mesmo instante em que o estrangeiro voltava para o quarto e a cortina caía atrás de si.”

O erudito então passou a viver sem sua sombra até que um dia ela bateu a porta de sua casa, retornando não como a sombra que um dia foi e sim como um ser humano tão vívido quanto o próprio homem que um dia foi seu senhor e que mal sabe que está diante do pior inimigo que poderia ter.

Afinal, para ser verdadeiramente humana, aquele que um dia foi sombra precisa da sua própria sombra.

~O Autor~

Hans Christian Andersen, também conhecido como H.C. Andersen, nasceu em 2 de abril de 1805 na cidade de Odense na Dinamarca. O autor se tornou popular por ser o escritor de contos famosos como “O patinho feio” e “A pequena sereia” e chegou a publicar em vida cerca de 156 contos que acabaram tornando seu nome popular no mundo inteiro. Faleceu em 04 de Agosto de 1875 após sofrer um grave acidente doméstico ao cair de sua cama.

Curiosidade: Existe um premio de literatura infanto-juvenil com seu nome, o “Hans Christian Andersen Award” que foi criado em 1956 pela organização não governamental da Suiça “International Board on Books for Young People”.

Mesmo parecendo que publicava apenas para o público infantil, há de elencar que Andersen possuí contos ambientados em uma atmosfera mais obscura, voltados para um público mais maduro.

~Minhas Impressões~

Confesso que fiquei extremamente feliz quando encontrei esse conto por acaso em uma antologia selecionada por Flávio Moreira da Costa, intitulada “Os melhores contos fantásticos“.

Eu já havia lido essa narrativa durante minha adolescência e na época tinha ficado deslumbrada com a fantasia que se perpetua ao longo das páginas e com o iminente horror que ocorre na trama. Fato é que eu não fazia ideia até o dia de hoje do título e muito menos do autor desse texto magnifico.

A narrativa é deliciosa de ler. Andersen possui uma habilidade genuína de narrar um conto de forma única que não faça o enredo se tornar obsoleto e nem o leitor se sentir entediado. A história, apesar de curta não transpassa aquela sensação de rapidez ou de lentidão, fluindo de forma agradável, contando o que de fato é relevante para o enredo e atiçando a curiosidade do leitor para o que irá ocorrer.

Há de se levar em conta que a narrativa em si trás alguns ensinamentos fundamentais, aquela típica “lição de moral“. Afinal, se você vive na sombra de alguém, certamente um dia não será visto como você mesmo, mas sim como aquele que caminha atrás de uma pessoa meramente importante.

O fantástico que amedronta

Se tem algo que admirei e ainda admiro nessa história é como Andersen consegue através de uma estrutura narrativa fantasiosa causar um sentimento de pavor ao leitor.

Não é que a trama seja assustadora ou entregue o horror durante o enredo, mas sim devido a inocência do protagonista do conto que ao acreditar que aquele que um dia foi sua sombra seria uma boa e velha amiga, não percebendo as intenções maliciosas daquele que um dia se considerou “servo” de um humano.

É impossível não nos sentirmos angustiados durante a narrativa, afinal um leitor mais atento certamente perceberá de cara as intenções duvidosas da sombra que por tentar se passar por um velho conhecido do homem, se mostra um ser dotado de malícia, prepotência, arrogância, inteligência e superioridade.

No fim, ficamos aflitos com o desfecho que corrobora com aquela velha questão de que muitas das vezes o mal pode sim ganhar do bem.

Um duplo

Uma questão que acho bastante pertinente de mencionar acerca dessa narrativa fantástica é o fato de que a Sombra assemelhasse a um personagem duplo do próprio erudito que acompanhamos na história.

Ainda que esse fato não seja óbvio ou explícito no enredo, há de se elencar que a Sombra queria se tornar humana e para isso precisava de uma própria sombra, alguém que vivesse atrás de si, à espreita.

E mesmo que ela não se espelhe naquele homem de carne e osso aos quais ele vivia sob os pés, é possível chegar a essa conclusão pelo fato de que a sombra queria ser alguém e quem melhor para ela ser do que aquele homem ao qual um dia ela serviu?

E muito embora a trama não deixe explicita a lição de moral de nunca ficar a sombra de alguém, o leitor facilmente chegará a essa conclusão. Já que o final do enredo além de transmitir aquele sentimento de desolação, também entrega uma história que não tem um final feliz.

A sombra” é um conto que eu indico. Uma daquelas histórias fantásticas que nós fazem sentir curiosidade para chegar ao fim e nos trás uma breve lição de moral. Resumindo, apenas leia e veja se a sua sombra ainda está aos seus pés.

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